. Título: Dona Flor e Seus Dois Maridos | . Direção: Mauro Mendonça Filho | . Roteiro: Dias Gomes | . Inspirada no livro: Dona Flor e Seus Dois Maridos - Jorge Amado | . Série Brasileira | . Ano: 1998 | . 20 Episódios | . Duração: 50 Min cada episódio | . 3★  

 

    Olá pessoal!

    A primeira vez que li Dona Flor e Seus Dois Maridos, eu conhecia apenas a primeira adaptação cinematográfica da história, mas com a releitura que fiz durante o carnaval, aproveitei para conhecer todas as versões de Dona Flor e Seus Dois Maridos e logo de cara vou dizendo... A versão de 1976 é velhinha, mas ainda é a minha favorita. Depois do livro. É claro!

     A história é bastante conhecida. Tanto que contém três versões além da peça de teatro e uma versão americana inspirada com o título de Meu Adorável Fantasma, mas vou desenvolver um pouco do enredo conforme foi contado na série. Ambientada na Bahia, na periferia do Pelourinho, a minissérie, começa com Valdomiro dos Santos Guimarães, também conhecido como Vadinho (Edson Celulari) dançando em um bloco afoxé Filhos de Gandhi, onde só desfilam homens. No meio do desfile, Vadinho enxergou uma entidade do candomblé no instante que teve um mal súbito e faleceu ao lado do seu amigo Miradão  (Chico Díaz ). Com isso o cortejo do bloco foi interrompido com várias pessoas gritando que Vadinho havia morrido e dessa maneira, quatro amigos de Vadinho foram avisar Dona Flor (Giulia Gam) .Assim que recebeu a triste notícia, Flor saiu de casa desesperada para encontrar o corpo de seu marido estendido na rua e sendo velado pelos amigos.

   Enquanto Dona Flor despede de Vadinho no momento que está fechando seu caixão, o espectador é transportado para o passado, aproximadamente seis anos atrás, onde Flor, Dona Rosilda (Walderez de Barros) e Norminha (Suely Franco) foram ao uma festa da alta sociedade. Durante a festa, Flor conheceu Vadinho e ambos se apaixonam um pelo outro e  com mentira de Mirandão, Vadinho conseguiu a bênção da Dona Rosilda, pois ela acreditava que Flor está namorando o neto do senador Guimarães. Acontece que a mentira não durou muito tempo. Vadinho era um verdadeiro malandro mentiroso, vagabundo, mulherengo e viciado em jogo de azar. Flor não importou com os defeitos de Vadinho, casou-se com ele e trabalhava como professora de culinária da escola Sabor & Arte para sustentar a casa. 

   Flor permaneceu de luto fechado por seis meses e mesmo jurando que jamais teria outro homem em sua vida, Flor acabou se entregando ao novo amor conforme a Mãe Dinorá (Chica Xavier) lhe informou e não demorou a Teodoro Madureira (Marco Nanini), o dono de uma farmácia da região, conquistar o coração de Flor. Ao contrário de Vadinho, que adorava vadiação, Teodoro era um homem bem comportado, inteligente, trabalhador e seguro financeiramente. Tanto que  após o casamento com Teodoro, Flor não precisava sustentar a casa com dinheiro da escola Sabor & Arte e conquistou uma vida serena e bastante tranquila. A diferença era tão grande entre os dois maridos que Flor sentia falta da única qualidade que Vadinho possuía e certo dia, o fantasma de Vadinho resolveu visitar Flor para matar as saudades dela.

    No livro, a história de Dona Flor e Seus Dois Maridos se passa entre os anos 1930 e 1940 e na primeira versão cinematográfica de Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), essa sensação permanece, pois ela é bastante fiel ao livro. Nesta versão de 1998, a trama foi atualizada para os anos 1990 com algumas modificações. Uma delas foi Dona Rosilda e seu filho Heitor morarem junto com Flor. Alias Vadinho vai morar com eles após o casamento com Flor e da mesma maneira acontece com Teodoro. No livro e na primeira versão a casa onde Flor mora com Vadinho e depois com Teodoro é alugada. Outro detalhe que a segunda versão trouxe e é inexistente no livro e no primeiro filme, foi acrescentar um casal homossexual, interpretado por Celeste (Dira Paes) e Juliana (Cyria Coentro), além de explorar o universo dos bicheiros.

    Não tem como negar, a série contém um ótimo elenco e o desenvolvimento do enredo conseguiu trazer a história para o contemporâneo da época que foi exibida, mas sinceramente, quando menciono os personagens principais da história são José Wilker como Vadinho, Sônia Braga como Flor e Mauro Mendonça como Teodoro que vem na minha mente. A Giulia Gam, Edson Celurari e Marco Nanini trouxeram uma Flor, Vadinho e Teodoro numa versão mais calma, especialmente o personagem Vadinho que é um verdadeiro ícone da literatura brasileira. Apenas uma cena que o fantasma do Vadinho assustando a Dona Rosilda, mãe de Flor que conseguiu arrancar uma boa risada. Novamente tenho que admitir Vadinho na versão de José Wilker consegue arrancar várias risadas no primeiro filme. Sendo bem sincera, eu imaginava que a minissérie, por ser exibida na TV aberta, seria mais divertida, porque tem a oportunidade de desenvolver melhor a história. 

   Essa é minha opinião e você tem todo direito de pensar ao contrário. Enfim, segunda versão de Dona Flor e Seus Dois Maridos assistida e mesmo contendo várias mudanças que afastou um pouco da história original, recomendo para todos que gostam de assistir séries nacionais e deseja conhecer todas as versões adaptadas de Dona Flor e Seus Dois Maridos. Novamente quero relembrar que é uma história com cenas de nudez e conteúdo sexual, então aconselho que seja para maiores de 18 anos. Assista e tira suas próprias conclusões, mas falando a verdade, aconselho que leia o livro de Jorge Amado para conhecer a história original. O livro vale muito a pena.

 

Todas as resenhas de Dona Flor e Seus Dois Maridos

 

   Beijos e até a próxima!