. Título: Noite na Taverna | . Autor: Álvares de Azevedo | . Editora: Principis | . Literatura Brasileira . Ano: 2019 | . 96 Páginas | . 5★ 


   Olá pessoal!

   Publicado originalmente em 1855, três anos após o falecimento de Álvares de Azevedo de tuberculose, Noite na Taverna é uma obra literária que merece ser degustado por todos os leitores que  apreciam boas histórias, especialmente da literatura clássica, entretanto é uma leitura indigesta divido a forma doentia dos acontecimentos narrados pelos personagens. Confesso que foi uma leitura difícil. Primeiramente por causa do estilo de escrita que foi bem rebuscada. A edição da editora Principis, contém palavras que precisei buscar no dicionário e tinha muito tempo que eu não fazia isso. Outro detalhe que preciso destacar. Mesmo tendo menos de 100 páginas, Noite na Taverna é uma história que provoca o choque por causa dos atos hediondos dos personagens que contam como se fosse um acontecimento normal entre eles e deixa claramente que eles não tem nenhum escrúpulo e decência.  

   Reunidos numa taverna, onde estão embriagados pelo vinho, Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius Hermann e Johann estão discutindo sobre espiritualismo, materialismo e libertinagem. Também algumas questões que envolvem a fé de cada um e principalmente sobre Deus. Até que, os amigos resolvem contar alguns  fatos escabrosos do passado, onde violência, depravação, alcoolismo, assassinatos e até canibalismo estão envolvidos nos acontecimentos. Solfieri começa compartilhando sua história quando esteve em Roma numa noite chuvosa e seguiu uma bela mulher até o cemitério após vê-la chorando em uma janela. A mulher acaba ficando ajoelhada ao lado de uma lápide enquanto Solfieri acaba adormecendo. Depois de um ano, Solfieri acaba indo pra numa capela próxima ao cemitério e avista um a caixão entreaberto. Então ele reconheceu a mulher dentro do caixão, era a mulher que Solfieri havia seguido até o cemitério no ano anterior.

   Resolvendo extrapolar, Solfieri decidiu praticar necrofilia com ela. Entretanto a falta de empatia, senso e respeito e tanta que não parou por aí. A mulher acabou acordando, porque na verdade, estava num estado cataléptico e Solfieri a levou para sua casa. Depois de dois dias a mulher realmente acabou falecendo, mas antes de enterrar a moça, Solfieri contratou um escultor para esculpir uma estátua idêntica a mulher. Após a escultura pronta, Solfieri enterrou a mulher no assoalho, debaixo da cama dele. Os amigos ficaram surpresos com história de Solfieri, contudo Bertram resolveu contar sua história macabra que se apaixonou por uma mulher que resolveu matar o próprio filho e marido. A história ficou tão assustadora que chegou ao extremo.

   A cada capítulo, os cinco amigos narraram uma história com teor perverso tanto quanto Solfieri, o primeiro dos cinco amigos e o livro vai tornando-se mais sombrio. Para o leitor que gosta do gênero horror, Noite na Taverna é uma obra assombrosa e bastante interessante. Além do Solfieri e Bertram, Gennaro relembrou quando foi aprendiz de um famoso pintor chamado Godofredo e perdeu a cabeça ao envolver  com Laura, a filha do pintor. Claudius Hermann também não ficou pra trás dos amigos. Ele  colocava sonífero na água da duquesa Elenora para tê-la em seus braços, até que resolveu sequestrá-la. E Johann, após perder uma partida de bilhar, entrou num duelo com um homem e depois que venceu o duelo, comemorou sua vitória praticando um ato perverso com uma moça. Em resumo, os cinco amigos provocam desconforto com seus os atos nojentos e ambientação macabra das histórias. 

  Contudo, o desfecho da história foi surpreendente, pois foi digno de uma trama de vingança e não deixou de ser tão perversa quanto as histórias que os cinco monstros contaram perante a noite de embriaguez deles. Confesso que gostei do livro Noite da Taverna porque ele é desconfortante. Conseguiu provocar muita raiva com os cinco amigos que ficaram se gabando do seus atos doentios como se fosse um detalhe normal na vida deles. Até senti um gosto amargo durante a leitura, porém o desfecho deixou um gostinho delicioso no paladar. Uma sensação gratificante provocada pela vingança. Eu sei que a vingança não é o melhor caminho correto para seguir, mas no caso desses cinco indivíduos asquerosos, a vingança foi a solução.

   Enfim, Noite na Taverna foi uma leitura rápida, mas ao mesmo tempo, um pouco complicada por ter uma linguagem rebuscada. Gostei porque foi desafiadora com a linguagem e a história me causou repulsa assombrosa. É uma obra interessantíssima que vou reler futuramente. Indico para todos os leitores que apreciam horror.

 

“ Uma história medonha, não, Archibald? – falou um moço pálido que a esse reclamo erguera a cabeça amarelenta. – Pois bem, dir-vos-ei uma história. Mas quanto a essa, podeis tremer a gosto, podeis suar a frio da fronte grossas bagas de terror. Não é um conto, é uma lembrança do passado.”

 

    Sobre o autor:

   Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu em 12 de setembro de 1831 em São Paulo. Foi poeta, escritor, ensaísta, contista e patrono da segunda geração romântica brasileira. Filho de Inácio Manuel Álvares de Azevedo e Maria Luísa Mota Azevedo, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro em 1840. Em 1848, Álvares voltou para São Paulo onde matriculou-se na Faculdade de Direito. Com influência byroniana, o meio literário paulistano teria conferido os componentes de melancolia de suas obras. Entre 1848 e 1851, o autor publicou alguns poemas, artigos e discursos. Depois da sua morte surgiram mais obras que foram se juntando aos outros escritos. Faleceu em 25 de Abril de 1852 no Rio de Janeiro.

 

   Beijos e até a próxima!